Arquivo para agosto, 2011

Era julho de 2011

Maria Luiza, minha pequena perfeita. Minha Malu. Talvez, você nem goste de samba no futuro. Pode ser que, neste momento, o destino esteja rindo. Pode ser. Mas vou te contar sobre aquele julho de 2011. Sobre a referência musical do nosso País.

E, em simples devaneios, você irá contar às pessoas como foi a sua primeira vez no samba. Uma história descontraída, mais ou menos assim:

 

Eu acabara de completar 1 ano de idade quando papá me levou ao samba pela primeira vez. Não andava, só engatinhava. Era sábado de aniversário – de amigos –, eu estava vestida como Audrey Hepburn. A boina era vermelha, o que deixava ainda mais meu rosto com formato de maçã. “É porque é doce, filha”, dizia papá. Neste mesmo dia, ganhei uma Barbie. Em uma equação simples, era eu vestida de boneca francesa, a boneca americana e papá. Tudo sonorizado pelo samba.

“No samba eu nasci, no samba eu me criei”, recitaram ao ouvido de papá. E pode tatuar.

Meu herói me atirou diante do samba. Calcada naquele chão de azulejo, em resposta a ele, dancei sentada, apontando dois dedinhos para cima, como um japonês conhecendo o Carnaval. Os amigos se divertiam, riam, enquanto eu, sozinha no centro daquele “terreiro”, engatinhava para lá e para cá.

“Não deixe o samba morrer, não deixe o samba acabar…”, dançavam os amigos. E eu, ao meu modo.

Quisera eu voltar a julho de 2011 e observar a expressão atônita de papá enquanto me fitava. Dois corações acelerados pela batida do tan tan. Ah, papá… Não fazia ideia se eu ia gostar disso ou daquilo no futuro. Mas me encaminhou, desde cedo, nas raízes desse Brasil.

 

Por Diego Costa – AoOitavo


A vida inteira em uma noite

Ser canalha é um estado de espírito. Mas é mentira. Espírito não sente. Quem sente é a carne, o músculo que se contorce ao sentir o calor mais íntimo do próximo. Calor, aquele calor que arde sem se ver? Não, é o começo, o meio e o fim. O calor é a vontade do momento que vem e passa após o suspiro renovador de fluídos compartilhados.

E a cerveja? Desce gelada até esquentar os pensamentos mais devassos. Do outro lado da mesa, palpitações penianas pulsam a cada toque de pés tímidos. A outra ponta responde fisiologicamente com uma descarga de hormônios enviada pelo o útero para o sangue.

Alisar a barba é o sinal de entrada, assim como o toque feminino pelo o cabelo. Os olhos respondem que “sim”, mutualmente, mas o garçom traz mais uma rodada de chop. Double chop. Eles recuperam os olhares. Ela arqueia a sobrancelha e, com um gesto tímido, concede a aproximação.

A aproximação é só um ato pífio do momento. Queriam mesmo era antecipar os clichês e se entregarem. Mas a situação pede cautela. Os amigos bebem mais um gole enquanto que, zapeando de rabo de olho, a insinuação explícita ocorre diante deles.

Comentários sob a mesa:

– Ela quer. E ele?

Um último gole: “Passaria a minha vida lá hoje à noite…”

Por Diego Costa – AoOitavo
e Denise Godinho, que escreve para o avessodessaordem.blogspot.com/