Arquivo para 01/11/2010

Um instante

E bastou um relance para fixar. Ela estava lá. Só. Mas distante. Por alguns segundos nos encontramos no olhar. Supus! Tão compenetrada, que não pude me desvencilhar. Um instante nos paralisava. Desestimulado por pequenos golpes do vento. Continuei a encarar, sem me aproximar. Não porque quisesse, é claro! Quanta pretensão seria, se cogitasse lhe tocar. Não podia. Eu estático, ela imóvel. Implorar a inércia também não iria adiantar. Aos astros? Talvez! Cheguei até desconfiar: Pensa que não sei que és um corpo estelar…

Aquele tempo, que para ela era infindo, despedia-se na escuridão. Envolta às fumaças, aos poucos, se deixava apagar. Com ela o letárgico estado do encanto. E ele, o meu olhar, descia pacientemente a corredeira do horizonte. Mirando em frente, notou outros brilhos: do gás do lampião aceso aos holofotes dos automotivos; do tapa na ponta do cigarro até retomar os sentidos. Amei à luz! Na mesma intensidade, a luz.

Por Denver Sá – AoOitavo

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