Arquivo para setembro, 2010

Diabéisso

Era tolo, caboclo ligeiro, se vi u´a tosca, punha a trepar. Calango bão, zim fi não desdenha, bota quanto valor tens neste mundo, amiúde traiçoeiro.

Um dado dia à igreja mira, entorna o caneco, bate a bota e sai a cavalgar.

É que viste na sombra da capela a formosura cintilar. Banhada em piscina, com  nuance de cinismo, e os passos a apertar.

– diabéisso, resmungou de longe.

Era Iara a desfilar

– que cousa boa!

A fartura  que comprimia aquela veste alva, nem carece lhe contar….veste alva?

Alta noite em Sertânia escondia aberrações. Mas bicho dado a boemia, quer o quê, se  não o deleite em se estrepar?

Enxugando o bico de cachaça, desceu da mula. Cambaleando. Só pra espiar.

À sua vista, tudo se movia distorcido, dissonante àquele corpo. Num bote só agarrou-lhe pelo ventre e botou-lhe junto as folhas de caroá.

Era a libido, que emprestara a ele a fúria necessária para serrar as coxas alheias. Até que um grito veio lhe açoitar.

Danou-se! Padicinho é uma camélia.

Por Denver Sá – AoOitavo


Paredes Vermelhas

Os olhos dele olharam os dela – por um tempo que nenhum dos dois podia notar -, os olhos dela se olharam nos dele. Mas um outro ele se aproximou ligeiro, de camisa xadrez, e com um tom de lado deu um beijo nela, proibindo-os de se entregarem. Ele encaixou as pernas e entornou um gole, e ela apenas sambou enquanto o outro a abraçava.

Não o via mais.

De cerveja na mesa, relembrando longamente a noite, ele percebeu que fora sua demora em aproximar-se dela que fizera surgir o envolvimento do outro, aquele encontro, agora mesmo os dois saíam de mãos dadas. E melhor assim: o que queria mesmo era recordar outras morenas como aquela. A cada e toda noite. Sem pressa.

Por Renato Zapata – AoOitavo


Sem faixa etária

Sobre a vida e seus componentes, o AoOitavo abre as cortinas e apresenta suas três faces. A junção dessas mentes, unidas pela cerveja e o escuro da noite, vem à tona, agora, em letrinhas enfileiradas – mas desprendidas de roteiro e direção – e com perspectivas variadas: ora objetiva, ora subjetiva.

A ideia da peça, sem gênero definido, deve ter surgido em algum dia desses, entre os meses de abril e junho de 2010, durante o oitavo semestre do curso de jornalismo. Este blog apresentará reflexões sobre o infindo, ou as incontáveis partículas moleculares no globo terrestre.

AoOitavo é ritmado pelo pandeiro, o cavaquinho, o violão, a flauta, o saxofone, a guitarra elétrica, o violino (e continua)… São as vertentes do samba; o chorinho; o samba enraizado brasileiro e o samba-rock (Salve, Jorge!), que influenciam este blog e seus idealizadores a recortarem um pedaço da vida – que de fácil só tem a pronúncia.

Desculpem a ausência de uma sinopse, mas AoOitavo é como a vida e está sujeito aos inúmeros ciclos, estágios e fases. “A vida é amiga da arte…” e, se me permite, Caetano, este espaço cultural é fruto destas três inspirações abstratas: a vida, a amizade e a arte.

Nos avisem, por favor, se este blog se transformar em uma cópia indecente da vida. Não é a intenção! Portanto, juntem-se a nós e não se preocupem com o tempo de duração porque nem nós sabemos. A mesa é simples e não faltarão cervejas e devaneios.

Por Diego Costa – AoOitavo