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Onde filho chora e mãe não vê

Em Pintadas, na Bahia, o ‘sorriso faz parte da saúde’. A seca murcha o pasto, suga as aguadas, malha as vacas. Entristece os 10.441 habitantes do município.

Mas, mesmo com a terra improdutiva, o céu é azul e lembra o mar. O sorriso não é maroto, mas existe. E água é vida. É dinheiro no bolso. É ouro, é euro, é dólar. É saúde acima de todas as cifras.

É mais do que ‘passar a tarde em Itapuã…’.Diego Costa – AoOitavo, de Pintadas (BA)

Em forma de arte

A Malu– Você é uma obra de arte!

Mas não está retratada em uma lapela. Ou endurecida pela argila. Você é uma arte em movimento que deixa qualquer escultura apagada.

Sua simetria é perfeita. E seus olhos são sua característica mais marcante. Olhos que expressam vida.

Assim como a beleza caracteriza a arte estática, a sua respiração gera o meu fôlego. Teus trejeitos são sublime, menina. Ame e tenha olheiras, pois é a naturalidade que te faz arte.

                                                    Diego Costa – AoOitavo

Vou te contar…

Visitei o Rio de Janeiro nos meses de dezembro, 2011 e janeiro, 2012. O primeiro e um segundo olhar.

Eu fico a te olhar, Candelária!

Suntuosa, imponente, marca do zero, marcada pelo terror.

O que os teus olhos já viram?

Quantas lágrimas despejou?

Seus pés imergidos em sangue,

o sinal de que já não és mais aquela menina do Imperador.

Eu que lhe defronto, ao menos nesta noite, invejo sua frieza, sua sina de horror e de dor.

(à espera, na janela do Windsor, avistava a Igreja de costas para a Presidente Vargas)                               

……

A única luz te ilumina. Ah lamparina!

Você se apresenta em mais uma noite de orgia.

Sapateado esmaga os pedregulhos que sustentam a Mem de Sá.

Silêncio, agora à noite, só no morro,

porque na Lapa mais um sambista vai trabalhar.

O show tem que continuar!

(sentado em uma cadeira, num botequim da Lapa)

 

Denver Pelluchi Sá – AoOitavo

Certezas

Dessa vida a gente só leva amor e olheiras .

Diego Costa – AoOitavo

Esmola que tanto pede

Há ferrugem nos meus dedos, eles que se rompem sem vida pelo meu rosto. Não consigo me levantar daqui, o asfalto me cobre toda, é um desespero. Tem até um mijo gasto que já respira dessa minha podridão. Fico olhando aqui do beco pra cadeia, meu filho preso lá dentro, e eu pedindo esmolas pra um monte de lixo de gente. Minha vontade é gritar por socorro todo santo dia, mas minha boca anda costurada por um inchaço. É uma porra, uma porra de um peso que esmaga a minha garganta. E quando eu finalmente consigo gritar, quando o escuro liberta o meu grito, um desgraçado vem me comer e o sangue das minhas lágrimas encontra a boca encardida que grita, que merda! Vivo sozinha sem ele, as grades tão perto do outro lado da rua… Lá do outro lado da rua, eu vejo as grades que sufocam meu filho, incendiado naquela cadeia, preso num internato que só espuma drogas. Que fede mais do que a mim mesma, eu que imploro por miséria. Me falta ar, me falta lavar os cabelos as unhas os bagaços, me falta a porra do meu filho.

Por Renato Zapata – AoOitavo

Ilustrado por Rafaela Sueitt

Um

Eu não saberia contar quantas pessoas há em minha volta. Tudo bem, eu só preciso contar até um.

Escrito pelo celular, durante o show do Marcelo Camelo. Retoques dos irmãos Thiago Barbieri e Bruno Barbieri.

Diego Costa – AoOitavo

Domingo

Não consegui sequer enxergar seus olhos verdes no domingo. Caía uma garoa e estava nublado. E eles não contrastam mais com dias assim.

Diego Costa – AoOitavo